Fonte: GT Defesa Animal – Contribuições de Natália Coelho

Alguns participantes do GT Defesa Animal estiveram, no último dia 10, na Assembléia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) para participarem da palestra sobre Leishmaniose visceral, proferida pelo Dr. Victor Márcio Ribeiro, professor da Pontifícia Universidade Católica de Betim e fundador da Anclivepa -MG.

O palestrante trouxe dados históricos da doença e um alerta sobre a imagem do Brasil perante a Organização Mundial de Saúde nesse tema, já que o país é considerado um péssimo exemplo de como lidar com a doença.

De acordo com dados do palestrante, existem dois tipos de leishmaniose, a donovani, que não afeta o cão, pois sua transmissão se dá ser humano – mosquito – ser humano e a infantum, na qual o cão é o principal reservatório do mosquito, sendo que sua contaminação no ser humano se dá mais frequentemente em jovens e crianças com problemas de desnutrição ou baixa imunidade.

No mundo, 67% dos casos do tipo 1 de leishmaniose (donovani) se concentram em : Bangladesh, índia e Nepal. Já 33% dos casos referentes à leishmaniose infantum (segundo tipo) se concentram nos seguintes locais: América Latina, Norte da África, Europa.

O Brasil detém 90% dos casos das Américas, sendo que em Minas Gerais ocorreram 1.232 casos de seres humanos infectados entre 2009 e 2010 e 132 mortes. O veterinário salientou que a morte por leishmaniose entre humanos se dá principalmente pelo diagnóstico tardio da doença.

Infelizmente o poder público brasileiro tem foco na eliminação dos cães soropositivos. Porém estudos demonstram que matar não resolve. A eficiência no controle da doença se daria de acordo com os seguintes passos

1)Controle do vetor (mosquito)

2)Vacina

3)Drogas (remédios)

4)Matar animais

Ou seja, a opção brasileira é, na verdade, a última alternativa apontada pelos cientistas e veterinários. A Organização Mundial de Saúde, que possui uma norma sobre o controle da doença, estimula a utilização do controle, da vacina e do tratamento, apontando o Brasil como um exemplo negativo no controle da doença, por ter como princípio a morte do animal.

Além disso, o método de diagnóstico da doença hoje utilizado (principalmente pelo poder público) não é eficiente, pois apenas mostra que ele contraiu a doença, mas não que esteja manifestando os sintomas da mesma.

Por fim, o veterinário informou sobre as opções de prevenção e tratamento da doença, alertando ser importante utilizar todas as ferramentas disponíveis para proteger o animal (vacina, coleira, inseticidas).

O deputado Fred Costa (PHS) encerrou a palestra alertando sobre a importância da sociedade civil organizada se unir e provocar o Legislativo, para que o mesmo se movimente no sentido de criar mecanismos de defesas de suas idéias.

De acordo com o deputado,”o Legislativo só age e produz mudanças em retorno à provocação da sociedade.”
Aproveitou para convidar os presentes para a audiência publica que será realizada no dia 08 de junho, as 09h30min, na ALMG, que tem por objetivo discutir a criação de uma Delegacia de Proteção Animal. Ressaltou por fim que “a presença de muitas pessoas é fundamental para que a Delegacia se torne uma realidade.”