Depois de ensaiar a proibição da circulação de carros no centro, o conselho municipal de Oslo decidiu, aos poucos, encolher o espaço de estacionamento. A ideia por trás disso é fazer os motoristas se sentirem visitantes e não donos das ruas. A primeira tentativa foi expulsar os carros do centro, inclusive os elétricos e híbridos, e deixar as vias para o transporte público e ciclovias. Para isso, escolheram um anel central que parecia ideal: uma área de menos de 2 km² onde moram cerca de mil pessoas, das quais 88% não têm carro. A tentativa teve que ser abortada por causa da pressão do comércio, que dizia que as pessoas iam às compras onde era fácil se deslocar e estacionar. O conselho voltou atrás, mas não deixou de adotar medidas para diminuir a quantidade de carros no centro e partiu-se, assim, para a retirada gradual dos veículos.

Mesmo Oslo – cidade com a maior proporção de veículos elétricos do mundo – entendeu que entende que os carros ocupam o mesmo espaço, qualquer que seja a fonte de energia que os move. Aos poucos a área central não terá espaço para estacionamento. As ruas receberão mais ciclovias e as áreas de estacionamento serão convertidas em parques ou estacionamento de bicicletas ou, ainda, “outras coisas que você consegue preencher um espaço quando não tem 1.200 kg de vidro e aço parado nele”. A partir do ano que vem, serão ampliadas as áreas de pedestre e, gradativamente, será proibida a circulação de carros em certas ruas. Um problema que terão que enfrentar logo é o congestionamento de bicicletas e o aumento no número de acidentes entre ciclistas e pedestres. Na nossa visão, um problema invejável.

Foto: Ints Kalnins/Reuters