“Há 93% de chance que o aquecimento global excederá 4ºc até o final deste século.” diz o cientista principal.

Josh Gabbatiss, Correspondente Científico

Previsões atuais de mudanças climáticas podem subestimar significativamente a velocidade e a gravidade do aquecimento global, de acordo com um novo estudo.

A reavaliação dos modelos que os cientistas climáticos usam para determinar um aquecimento futuro revelou que as estimativas menos otimistas são mais realistas.

O resultado sugere que o Acordo de Paris, que busca manter a temperatura média global até 2ºc , talvez seja muito ambicioso.

“Nosso estudo indica que, se as emissões seguirem o cenário “business-as-usual”, há  93% de chance que o aquecimento global exceda 4ºc até o final deste século,” disse o Dr. Ken Caldeira, um cientista atmosférico no Instituição Carnegie para Ciência, que é o co-autor do novo estudo.

Essa probabilidade representa um aumento em relação às estimativas passadas, que eram de 62%.

Modelos climáticos são instrumentos vitais para os cientistas que tentam entender os impactos dos gases de efeito estufa. Eles são construídos usando o conhecimento fundamental da física e do clima mundial.

Mas o sistema climático é inacreditavelmente complexo e, como resultado, há um desacordo sobre como melhor modelar seus aspectos-chave.

Isso significa que cientistas produziram dezenas de modelos climáticos que prevêem uma série de diferentes resultados de aquecimento global resultantes das emissões de gases de efeito estufa.

Baseado no cenário “business-as-usual”, no qual as emissões continuam na mesma taxa, os modelos de cima variam em suas previsões de 3,2ºc  até 5,9ºc de aumento na temperatura global.

O novo estudo, publicado no jornal Nature, buscou resolver essa situação e determinar se as estimativas superiores ou inferiores são mais precisas.

Para fazer isso, o Dr. Caldeira e seu colaborador Dr. Patrick Brown argumentaram que os modelos mais precisos seriam aqueles são os melhores na simulação dos padrões climáticos no passado recente.

“Faz sentido que os modelos que fazem o melhor trabalho na simulação das observações de hoje possam ser os modelos com as previsões mais confiáveis”, disse o Dr. Caldeira.

A conclusão foi que os modelos com maiores estimativas tinham maior probabilidade de serem mais precisos, com o mais provável grau de aquecimento 0.5C maior que as melhores estimativas anteriores.

Outros cientistas climáticos responderam de maneira favorável à nova pesquisa.

“Houve vários estudos prévios tentando comparar modelos climáticos por meio da medição das temperadas de superfície passadas, mas esses não se mostraram muito conclusivos na redução da incerteza no intervalo de projeções de temperaturas futuras”, disse o professor William Collins, meteorologista da Universidade de Reading, que não estava envolvido no estudo.

De acordo com o professor Collins, esse trabalho ”divide a questão nos blocos constitutivos fundamentais das mudanças climáticas”.

A pesquisa feita pelo Dr. Brown e pelo Dr. Caldeira foca especificamente em modelos de fluxos de energia da Terra para o espaço, medidos por satélites.

Eles sugerem que a quantidade de luz solar refletida longe do planeta pelas nuvens irão diminuir à medida que o mundo fica mais quente, aumentando a magnitude das mudanças climáticas.

“Nós estamos agora mais certos sobre o futuro climático, mas a má notícia é que será mais quente do que pensávamos”, disse o professor Collins.

De acordo com o professor Mark Maslin, climatologista na University College London que não estava envolvido no estudo, esses resultados podem significar  a necessidade de “redução das emissões de carbono de maneira mais rápida e intensa do que se esperava”.

Para alcançar esses objetivos, as negociações climáticas devem garantir que as reduções globais de emissões comecem em 2020 como planejado e continuem a cada ano subsequente”, disse o professor Maslin.

Contudo, especialistas também advertem que há necessidade de cautela ao prever fenômenos tão complexos quanto as mudança climáticas.

“Esta é apenas uma linha de evidência”, disse o Professor Piers Forster, um especialista em mudanças climáticas da Universidade de Leeds, que não estava envolvido no estudo.

“Outras linhas de evidência baseadas no aquecimento observado historicamente sugerem que as simulações com projeções ligeiramente mais frias podem se encaixar melhor. Precisamos considerar todas as linhas de evidência antes de tirarmos conclusões “.

(Disponível em:  <http://www.independent.co.uk/environment/global-warming-temperature-rise-climate-change-end-century-science-a8095591.html> Acesso 19 de Dezembro de 2017). O texto acima foi publicado originalmente no site do jornal britânico “The Independent”. A presente versão é uma livre tradução, realizada pela estagiária da Gerência de Ações para Sustentabilidade – GEASU – da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, Gabriella Oliveira, sob supervisão de Ana Maria Caetano Pereira da GEASU.