Falar de mobilidade não é só tratar de problemas de trânsito ou de novas infraestruturas para transporte coletivo: fazemos uma parte relevante dos nossos deslocamentos a pé, um trajeto inteiro ou parte dele. Isso significa que, quando falamos de rua, precisamos pensar não apenas nas faixas para veículos motorizados, mas também nas calçadas por onde caminhamos, nas travessias, nos espaços públicos acessíveis a quem anda a pé, nas distâncias entre emprego e moradia, no que tem se chamado por aí de tecido urbano.

É só de olhar para a rua já vemos quem tem prioridade, né? Os sinais para pedestres têm, muitas vezes, um tempo muito curto para a travessia; e quantas vezes não nos estressamos porque a calçada do centro da cidade está lotada de buracos, postes e placas no meio do caminho, carros e motos estacionadas, ou temos que desviar das pessoas aglomeradas nos pontos de ônibus?

Apesar disso, caminhamos. Na verdade, 35% de todos os deslocamentos diários em BH são feitos a pé. Muito, né? E o quanto do espaço é destinado a essas centenas de milhares de pessoas? Pouquíssimo. O espaço da rua é distribuído de forma muito desigual.

E como seria importante melhorar e incentivar o caminhar! Não só por seus benefícios à saúde e também ao meio ambiente, mas também porque caminhar muda nossa relação com a cidade, com nosso bairro, com nossa rua. Mais pessoas na rua também aumentam a segurança: muito melhor se deslocar por uma rua cheia de pessoas, do que em uma vazia, certo? Afinal, mobilidade não é só sobre se deslocar: é também sobre criar uma cidade diferente, estabelecer com as pessoas que nela circulam e habitam novas relações. Lembre-se das festas juninas na rua da sua casa ou do bairro, de como a feira hippie é deliciosa e que você não se preocupa com os carros que não trafegam ali, de como era bom brincar de bola ou de pique com a vizinhança ou tomar aquele café na calçada jogando conversa fora…

Participe das atividades do Mês da Mobilidade durante todo o setembro!

Uma outra mobilidade e uma outra cidade são possíveis. Vamos começar agora?

#MêsDaMobilidade2018