Sarau, duelo de MCs, músicas, rodas de dança, feirinha de roupas e muita animação fizeram parte da 9ª edição do Juventude Okupa a Cidade, no último dia 21 de setembro, na Praça Roman Laranja (Campinho do Ubirajara), entre as ocupações Rosa Leão e Helena Greco, no Bairro Jaqueline, Região Norte de BH. 

Com a temática “ocupar os direitos”, a nona edição contou com a participação das juventudes de três ocupações urbanas: Dandara, Rosa Leão e Eliana Silva. 

E é justamente esse caráter cultural e político do Okupa que ressalta a coordenadora de mobilização e comunicação da Secretaria executiva do Fórum da Juventude de Belo Horizonte, Fernanda Godinho: “O Okupa é um role político, artístico e cultural, que valoriza a produção das juventudes das quebradas, de uma juventude que é majoritariamente negra, periférica e que produz cultura e arte com muita potência política. Sempre mobilizando a comunidade, reivindicando direitos e representatividade”, aponta Fernanda Godinho. 

Para realizar o Okupa, o Fórum da Juventude por mais de 6 meses realizou processos formativos e discussões entre as Ocupações Dandara, Rosa Leão e Eliana Silva.  Esse processo foi marcado por três etapas: primeiro um diagnóstico participativo envolvendo as três ocupações urbanas, cujo objetivo era identificar quais violações de direitos mais afetam as juventudes moradoras das ocupações; em seguida partimos para processos formativos onde foram discutidas as principais questões apontadas no diagnóstico; e, por fim, a construção de um evento político-artístico-cultural que aconteceu no dia 21 de setembro, na Praça Roman Laranja, no bairro Jaqueline. 

 Adriel Cássio, que é morador da Ocupação Eliana Silva e integrante da Juventude do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), participou dos encontros  promovidos pela Fórum da Juventude e também da 9ª edição do Okupa, no último dia 21 de setembro. Adriel Cássio refletiu muito sobre o tema “Ocupar os direitos” e  ressalta que moradia não é apenas quatro paredes. “Nos entendamos que tudo parte de uma moradia. Porque tudo começa pela luta por uma moradia digna e depois disso, lutamos para acesso a saúde, a educação e também por transporte de qualidade”, afirma Adriel Cássio. Além disso, ele ressalta: “nós estamos longe do centro de BH o Okupa também ajuda nisso, em levar cultura e lazer para outros lugares, descentralizado as coisas”. 

João Vitor Gomes, também participou do 9° Okupa a Cidade com concorda com Adriel Cássio. João é  poeta e um dos organizadores do Batalha na Rocha, que é uma batalha de MCs que acontece no Praça Augusto César Sandino – Independência, Região Oeste de Belo Horizonte. “Nosso bairro é distante e é importante justamente por isso estar aqui hoje. Independente da distância ou do rolê,  estamos acesso espaços que são nossos. Eu amo ir para um role que as pessoas parecem comigo! É muito gosto e mais acolhedor”. 

João Vitor Gomes também apontou a importância da Busona, para ter acesso ao evento na Praça Roman Laranja, na Região Norte da capital. Você não sabe o que é a Busona? A iniciativa, chamada de “Busona”, é do Tarifa Zero BH, em parceria com o Movimento Nossa BH. Ela é 0800 e para entrar no ônibus do “Busona”, basta esticar o braço! Segundo João Vitor Gomes, sem esse transporte seria impossível participar do Okupa! 

O integrante do movimento Tarifa Zero Gabriel Vaz de Melo, mais conhecido como Bil, explica como a ação da Busona é importante e como pode servir de modelo para dar acesso a lazer e cultura para os belorizontinos, principalmente de periferias. “Nós acreditamos que o direito a transporte é essencial para que as pessoas das periferias posam no final de semana ter um momento de lazer em qualquer lugar da cidade, mas sabemos que a tarifa alta é um empecilho, ainda mais para as pessoas que já são vulneráveis. Então a busona contribui para isso diretamente. Assim as  comunidades podem se integrar”.

Na avaliação da coordenadora da ocupação Rosa Leão, Charlene Cristiane Egídio, o Okupa dá várias lições para as autoridades políticas. “Os jovens unidos podem fazer muito mais que os políticos para as comunidades, com espaços culturais e mobilidade de qualidade. É possível sim promover esses encontros, como vocês está vendo aqui, com lazer, cultura. em vários bairros, comunidades e juventudes diferentes. Isso é muito rico, isso é uma troca”. Charlene também acrescenta: “Se você participa de alguma atividade de lazer no centro de BH e quer ficar um pouco mais tarde, não pode, você precisa olhar o horário do ônibus e metrô  porque se não você fica na rua sem ter como voltar. Por isso a Busona é um exemplo para o governo estadual e municipal. Por isso precisamos de uma moradia completa, com acesso a saúde, transporte, educação, lazer e cultura.”

A 9ª Edição do A Juventude oKupa a Cidade: ocupar os direitos! é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentiva à Cultura de Belo Horizonte.  A realização é do Fórum das Juventudes da Grande BH em parceria com as juventudes das ocupações Dandara, Rosa Leão e Eliana Silva e também com a parceria de diversos coletivos juvenis de BH e RMBH: Coletivo Terra Firme (Ibirité), Batalha da Rocha (Ibirité), Coletivo Flores do Beco (Betim), Cooperativa Muda (Betim), Coletivo Nosso Sarau (Sarzedo), Academia TransLiterária (Belo Horizonte), SLAM Valores de Minas (Região Metropolitana), REJUDES (Região Metropolitana), Coletiva Manas (Belo Horizonte) e Roleta Crew (Betim).  O 9º oKupa também contou com o apoio da AIC, do Instituto Macunaíma, das Brigadas Populares, do MLB, do Observatório das Quebradas, da Nossa BH, do Internet sem Fronteiras e de Túlio Nobre.