Cidade Mulher encerra ciclo de formação, articulação territorial e construção coletiva

O Projeto reuniu mulheres para a construção de agendas locais de ações de busca de direitos e por melhorias nas políticas públicas.
Ao longo de seis meses, o Projeto Cidade Mulher, realizado pelo movimento Nossa BH, desenvolveu um percurso de formação, escuta, articulação e construção coletiva com mulheres de quatro territórios, sendo três em Belo Horizonte: Aglomerado da Serra, Morro do Papagaio, Cabana do Pai Tomás e um na região metropolitana na cidade de Nova Lima.
A proposta foi fortalecer a participação das mulheres nos debates sobre seus territórios, ampliar o conhecimento sobre direitos e políticas públicas e criar condições para que demandas, experiências e propostas locais pudessem ser organizadas coletivamente.
Durante o percurso, o projeto combinou aulas presenciais e online, oficinas com encontros nos territórios, atividades itinerantes e conversas virtuais construindo uma formação conectada às experiências e aos desafios vividos pelas participantes.
Formação conectada aos territórios
As aulas e oficinas abordaram diferentes temas relacionados à vida das mulheres e às desigualdades presentes nas cidades.
Entre os temas ministrados tivemos a violências contra as mulheres e corpos dissidentes, diversidade e inclusão, direitos das pessoas com deficiência, participação social, políticas públicas, mobilidade antirracista, políticas do cuidado: saúde mental, mudanças climáticas, justiça climática, resíduos e agenda para o desenvolvimento sustentável, captacao de recursos e comunicação..
As formações também discutiram os espaços institucionais existentes nas cidades, como fóruns, conselhos, câmaras e equipamentos públicos, aproximando esses mecanismos da realidade das participantes e das possibilidades de participação e incidência.
Outro eixo importante foi a relação entre raça, gênero, território e direito à cidade, especialmente nos debates sobre mobilidade e acesso aos serviços públicos.
Encontros presenciais, online e circulação entre os territórios
A maior parte das atividades aconteceu presencialmente em cada território e, outra parte reuniu as participantes de forma online.

O projeto também promoveu momentos de intercâmbio entre os quatro territórios. Uma das experiências foi a aula itinerante realizada na Casa do Beco, no Morro do Papagaio, que reuniu as mulheres de cada territórios e possibilitou a troca de experiências, conhecimentos e formas de organização comunitária.
Essa circulação teve um papel importante no percurso. Ao conhecer outras realidades e iniciativas, as participantes puderam perceber desafios comuns, diferenças entre os territórios e possibilidades de articulação entre mulheres de diferentes regiões.
A cultura também atravessou o percurso do Cidade Mulher. Em diferentes encontros, a programação abriu espaço para música, poesia, oralidade e outras formas de expressão, reconhecendo a arte como parte da construção de vínculos, da memória e da organização comunitária.
Participações como as de Lelê, Nívia e Leninha ajudaram a criar momentos de encontro e troca que trouxeram leveza para a formação, sem se separar das discussões políticas e sociais do projeto. A cultura apareceu, assim, não apenas como uma atividade complementar, mas como uma linguagem capaz de aproximar pessoas, fortalecer identidades e ampliar as formas de compartilhar experiências entre as mulheres dos quatro territórios.
Cuidado, saúde mental e organização política
O cuidado esteve presente em diferentes momentos da formação, não apenas como uma responsabilidade individual ou familiar, mas também como uma questão pública.
As discussões passaram por saúde, assistência social, segurança alimentar, saúde mental das mulheres, enfrentamento às violências e acesso a equipamentos e políticas de proteção social.
Ao mesmo tempo, as participantes foram convidadas a olhar para as formas de organização existentes em seus territórios: quais são as principais pautas locais, como as mulheres já se articulam, quais redes existem e quais questões ainda precisam ganhar mais espaço no debate público.
Esse processo ajudou a preparar uma das principais construções do projeto Cidade Mulher: as Agendas Locais.
Das formações às Agendas Locais
Depois do ciclo de aulas e atividades formativas, as mulheres passaram a organizar aquilo que havia sido discutido ao longo do percurso formativo.
Cada território desenvolveu sua própria agenda, reunindo demandas, prioridades, problemas identificados e propostas de atuação.




A construção não partiu apenas dos conteúdos apresentados nas aulas. Ela incorporou as experiências das próprias mulheres, seus conhecimentos sobre as comunidades e a leitura cotidiana das desigualdades presentes nos territórios.
As Agendas Locais foram pensadas como instrumentos que possam permanecer depois do encerramento do projeto, apoiando mobilização comunitária, articulação com organizações, diálogo com gestores públicos, participação em espaços institucionais e construção de novas iniciativas.
Imersões para aprofundar ideias e projetos
Em uma etapa seguinte, o projeto Cidade Mulher realizou duas rodadas de imersões nos quatro territórios.
A primeira foi dedicada ao aprofundamento das Agendas Locais, permitindo que cada grupo revisasse prioridades, organizasse propostas e avançasse na construção coletiva.
Entre as atividades presenciais, também foram realizadas conversas online com os grupos, mantendo o acompanhamento das construções desenvolvidas em cada território.
A segunda imersão voltou-se principalmente para a continuidade das iniciativas.
As participantes tiveram oficinas sobre captação de recursos e comunicação, trabalhando questões como definição de objetivos, planejamento, custos, possibilidades de financiamento e formas de apresentar uma proposta.
No campo da comunicação, foram discutidas maneiras de contar a história dos projetos, divulgar iniciativas, dialogar com possíveis apoiadores e fortalecer a circulação das ações realizadas nos territórios.
Também entraram nesse processo perspectivas ligadas à oralidade, memória e comunicação comunitária, valorizando formas de produção de conhecimento que já fazem parte da experiência dessas mulheres e comunidades.
Uma construção feita com quem conhece os territórios
O projeto Cidade Mulher contou ainda com a participação de mobilizadoras locais, que tiveram um papel fundamental na aproximação com as participantes e na conexão entre a equipe do projeto e cada comunidade.
Essa estrutura ajudou a garantir que o percurso não fosse simplesmente uma mesma formação reproduzida em quatro lugares.
Embora existissem temas comuns, cada território trouxe suas particularidades, demandas, experiências e formas próprias de organização.
Da formação para iniciativas concretas
Ao longo do percurso, algumas das discussões começaram também a se transformar em iniciativas e projetos.
Entre os desdobramentos estiveram propostas elaboradas para editais públicos, incluindo projetos relacionados às mudanças climáticas e às condições de vulnerabilidade enfrentadas pelas mulheres.
Outro trabalho desenvolvido foi o Mapa das Desigualdades, voltado à organização de informações sobre os territórios e à identificação de desigualdades que podem contribuir para futuras ações de mobilização e incidência.
Esses movimentos reforçam uma dimensão importante do Cidade Mulher: a formação buscou produzir ferramentas para que o conhecimento construído pudesse se transformar também em ação.
Encontro de Partilha das Agendas Locais
No sábado, 8 de agosto, as mulheres dos quatro territórios voltaram a se reunir, desta vez em Nova Lima, para o Encontro de Partilha das Agendas Locais, que marcou o encerramento do percurso. Foi o momento de apresentar as agendas construídas coletivamente, compartilhar propostas e experiências e conversar sobre as possibilidades de continuidade das ações.
O encontro encerrou uma etapa do projeto Cidade Mulher, mas parte importante do trabalho desenvolvido foi justamente pensar no que pode continuar.
Depois de meses de aulas, oficinas, encontros, imersões e construções coletivas, ficam as Agendas Locais, projetos em desenvolvimento, novas conexões entre os territórios e redes de mulheres que podem continuar se articulando.
As agendas registram demandas e desigualdades, mas também reúnem propostas, possibilidades e caminhos construídos por mulheres que conhecem suas comunidades e querem participar das decisões que afetam seu cotidiano.
Realização: Movimento Nossa BH
Incentivo: deputada estadual Bella Gonçalves
Parceria: Governo de Minas Gerais — Desenvolvimento Social
Apoio: Teia de Criadores
Assim fica mais com cara de matéria institucional e memória do projeto, e menos de relatório de execução. As datas detalhadas podem ficar guardadas para relatório, prestação de contas ou uma linha do tempo interna.